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Juruti: história e expectativas iniciais

Sobre Juruti

O município de Juruti localiza-se no Estado do Pará, na mesorregião do Baixo Amazonas e na microrregião de Óbidos, fazendo fronteira ao Norte com os municípios de Oriximiná e Óbidos, a Leste com Santarém, ao Sul com Aveiro e a Oeste com Parintins e Nhamundá (no Estado do Amazonas) e Faro.

Juruti teve origem em uma aldeia de índios Munduruku, no século XIX, e mantém influência marcante da cultura indígena. Tem população de cerca de 35 mil habitantes, sendo que 60% vive na área rural. O município apresenta consideráveis carências: possui infra-estrutura de saneamento pouco estruturada, a maioria da população vive com menos de R$ 75,5 de renda per capita mensal e 21% das pessoas com mais de 25 anos de idade são analfabetas.

O município já viveu importantes ciclos econômicos, como os da extração do pau-rosa e da juta, que não o conduziram a um desenvolvimento estável e duradouro. A economia se concentra nas lavouras temporárias, destacando-se o cultivo da mandioca. Pesca, extrativismo vegetal e, mais recentemente, pecuária, comércio e serviços de pequeno porte (portuários, mercearias, alimentação) são outras atividades presentes no território e que visam a subsistência e o mercado locais.

Saiba mais no site da prefeitura do município de Juruti.

Percepções e expectativas iniciais

Como primeira etapa do trabalho com Juruti, o GVces e o Funbio realizaram sondagens no município e arredores, na cidade de Santarém e na capital Belém, ao longo de 2006. O objetivo foi identificar como cada pessoa compreendia o desenvolvimento da região. Mais de 40 cidadãos foram ouvidos, entre líderes comunitários, políticos, representantes do poder público, formadores de opinião, entre outros grupos. 

 

A ausência institucional do Estado, em especial o poder público municipal e estadual, foi a principal preocupação apontada. Com frequência, as demandas que normalmente seriam direcionadas para o Estado acabavam sendo endereçadas para a Alcoa, sobretudo no que dizia respeito à educação, saúde e infraestrutura. Para outros cidadãos, ainda que a Alcoa não pudesse substituir o Estado, ela tinha responsabilidades que iam além das fronteiras do empreendimento, principalmente numa região social e economicamente carente. 

Outra preocupação recorrente – e decorrente da ausência institucional do Estado – era a questão fundiária, um problema sério na região amazônica, que afetava profundamente as relações econômicas e sociais locais. Isso também refletia a dificuldade de construir processos coletivos de mobilização e de gestão da vida econômica, social e cultural, por parte das diferentes comunidades.