Indicadores de Juruti - Apresentação

Apresentação

A instalação de grandes projetos de infraestrutura e energia na Amazônia é uma resposta às demandas de crescimento do país que gera preocupação quanto aos impactos sobre o meio ambiente e as comunidades humanas que vivem nas regiões onde esses grandes empreendimentos são instalados. Algumas empresas responsáveis por esses empreendimentos têm buscado práticas que vão além das obrigações previstas em lei, incorporando a sustentabilidade em suas operações internas e na relação com as populações locais e com o meio ambiente. Ainda assim, poucas são as experiências inovadoras que apoiam o desenvolvimento local sustentável, especialmente em regiões de complicada configuração socioambiental. (Para entender melhor a ideia de desenvolvimento, clique aqui)

O município de Juruti (PA) oferece um caso emblemático. Em 2006, a chegada de um grande empreendimento de mineração alimentou esperanças e temores entre os cidadãos desta cidade do extremo oeste do Pará. De um lado, a presença de uma grande mineradora, a Alcoa, suscitou expectativas positivas quanto aos recursos financeiros gerados por sua operação e seus efeitos sobre a economia local. De outro, surgiram preocupações quanto a possíveis efeitos negativos no município e arredores, como impactos da mineração sobre a diversidade biológica e os recursos naturais, expansão populacional e urbana, desigualdade social, entre outros pontos. 

Compreendendo sua responsabilidade com o bem estar e o progresso das comunidades de Juruti, a Alcoa solicitou à Fundação Getulio Vargas (FGV) e ao Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) o desenho de um plano de desenvolvimento local ambientalmente correto, socialmente justo e economicamente viável para Juruti e região - o Juruti Sustentável. Esse plano está fundamentado em três frentes: a criação e articulação de um espaço de mobilização social, a construção de indicadores para monitorar as transformações sociais, ambientais e econômicas de Juruti e região, e a formação de um fundo de apoio a projetos de desenvolvimento local. (Acesse a versão pdf do Juruti Sustentável aqui)

Em 2007, a FGV foi convidada pela Alcoa a construir os indicadores que seriam usados para monitorar o desenvolvimento de Juruti, enquanto iniciativas paralelas conduziam a implementação dos outros dois pilares do plano Juruti Sustentável. A FGV tinha dois importantes desafios: o primeiro, construir os indicadores por meio de um processo com participação ampla e efetiva da sociedade local; o segundo, desenvolver uma metodologia para a definição de um território de monitoramento.

Quatro anos de trabalho depois, a população de Juruti tem ao seu alcance uma ferramenta para medição do desenvolvimento ao longo do tempo, disponível neste sistema online e também na publicação “Indicadores de Juruti”, que já está na segunda edição (baixe a versão pdf aqui). Construídos com o envolvimento de mais de 500 cidadãos e representantes de instituições locais e regionais e uma série de pesquisas, os Indicadores de Juruti são mais que uma ferramenta - eles são um instrumento de transformação e de constante aprendizagem e conscientização de todos.